O número de portugueses deportados no Canadá reduziu significativamente, atingindo em 2007 o número mais baixo desde há 13 anos, segundo dados oficiais canadianos a que a Lusa teve hoje acesso e que foram confirmados pelo Governo português.

Segundo os dados, que contêm números desde 1995 (39), foi no ano fiscal (de 01 de Abril e 31 de Março) canadiano de 2002/03 que mais portugueses foram expulsos do país por estarem em situação irregular: 568.

No ano seguinte, o número desceu para 520 deportados e em 2004/05 registaram-se 437.

No entanto, só no ano fiscal de 2005/06, quando foram expulsos 287 portugueses, é que o caso das deportações de emigrantes residentes no Canadá em situação irregular chegou a Portugal e levou o então ministro dos Negócios Estrangeiros Freitas do Amaral àquele país para falar com as autoridades.

Na altura, várias famílias portuguesas que estavam ilegais no Canadá receberam uma notificação para abandonar o país, tendo os conselheiros das comunidades explicado que o Governo canadiano estava apenas a cumprir a lei.

«Não há qualquer alteração da lei nesse sentido. Ela foi sempre clara. Quem está ilegal e é detectado é deportado. Aqui no Canadá funciona assim», disse na altura à Agência Lusa o conselheiro Tomás Ferreira.

Numa tentativa de legalizar a sua situação, muitos portugueses iniciavam processos de legalização com um pedido ao abrigo do estatuto de refugiado, mas a maioria viria a ser recusada pelas autoridades canadianas.

A tendência de descida do número de deportados manteve-se e acentuou-se nos anos seguintes, passando para 58 portugueses expulsos no ano fiscal de 2006/07 e para 33 em 2007/08.

Contactada pela Agência Lusa, fonte do gabinete do secretário de Estado das Comunidades confirmou estes números e disse que um dos motivos desta diminuição é o facto de os portugueses regularizarem a sua situação quando vão para o Canadá.

«Muitos dos que vieram (deportados) regressaram para o Canadá com a situação regularizada de acordo com a lei canadiana», disse a mesma fonte.

No entanto, apesar de os dados oficiais indicarem a descida do número de deputados, um conselheiro em imigração no Canadá, Peter Ferreira, disse no início do mês à Lusa que a «comunidade portuguesa de Toronto continua a viver o drama das deportações».

«Nada mudou. Os portugueses continuam a ser deportados às centenas. A diferença é que agora não se fala tanto nisso», frisou.

Este português, conselheiro em imigração há 32 anos e membro da comissão consultiva da Agência de Serviços Fronteiriços do Canadá, adiantou que o ministro federal que tutela os serviços de fronteiras, Stockwell Day, e a ministra canadiana da Imigração, Diane Finley, anunciaram a «intenção de reforçar as deportações em todos os grupos étnicos».

«Por aí, já estamos a ver que os portugueses estão incluídos», disse.

Questionado sobre o anúncio feito na altura, em Ponta Delgada, pelo presidente do Governo Regional dos Açores, Carlos César, segundo o qual, em 2007, o Arquipélago apenas recebeu 38 deportados do Canadá, Peter Ferreira comentou: «Gostaria de saber a fonte, se são números da Agência de Serviços Fronteiriços do Canadá ou se são do Governo açoriano».



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