Familiares e amigos unem esforços por estes dias para ajudar os produtores artesanais de Valpaços a confecionar o folar, uma tradição de Páscoa transmitida de geração em geração e que se transformou em negócio.

Marisa Frade, 46 anos, é uma produtora artesanal de folar que tira 10 dias de férias nesta altura do ano para confecionar folar para vender na feira, que abre hoje, em Valpaços, e também para a Páscoa.

Hoje o dia começou bem cedo na casa desta produtora para preparar a primeira fornada. Marisa Frade aprendeu a receita com a mãe, Maria José, que, por sua vez, também aprendeu com a mãe. É um saber que vai sendo transmitido de geração em geração.

“Gosto muito de fazer folar, estou habituada com a minha mãe e como sou uma pessoa empreendedora, batalhadora, pensei em fazer a feira”, contou a produtora, que trabalha na câmara de Valpaços, no distrito de Vila Real.

As vendas de folar representam um completamento para o orçamento familiar, mas o trabalho só é feito devido a uma grande entreajuda familiar e de amigos.

Apesar de já ser vendido o ano inteiro, o folar é uma iguaria que marca presença obrigatória em praticamente todos os lares transmontanos durante a celebração da Páscoa, e é feito com ovos, farinha, azeite e várias carnes como presunto, salpicão ou linguiça.

De um forno, Marisa Frade já passou para dois e a equipa vai estar a trabalhar quase sem parar até domingo.

O segredo do folar está, contou, “na paixão com que se faz e nos ingredientes", praticamente todos locais.

“Nós confecionamos o fumeiro para colocar no nosso folar. A certificação é uma mais-valia, embora sempre se tenha feito o melhor para que esteja sempre dentro das normas e com qualidade”, referiu.

Para Marisa, o folar artesanal faz “lembrar o aconchego e a casa” e é cumprido todo um ritual para a sua confeção, desde os molhos da lenha, ao partir das carnes até às rezas e à união de quem se junta para ajudar no trabalho.

“É um trabalho familiar e só assim é que se consegue”, salientou.

A mãe Maria José Sousa, 71 anos, contou que este “é um saber que vai passando de mão em mão”.

“Antigamente era só mesmo de ano em ano, agora já se vai fazendo ao longo do ano todo, consoante há encomendas. Sempre me lembro, de criança, que ficávamos tão contentes no dia em que se fazia o folar porque só uma vez por ano que se comia”, referiu.

Uma outra ajudante de Marisa Frade é a tia Amélia Alves, 64 anos, uma emigrante que regressou à terra natal há um ano.

“Ela precisa sempre de ajuda e, como sou tia, gosto de contribuir. É uma coisa que se faz com gosto”, salientou a ex-emigrante que contou que, enquanto esteve na Suíça, fez sempre questão de cumprir a tradição do folar.

Foto: CMV




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