Cerca de 40 ecologistas portugueses e espanhóis e autarcas do concelho de Vinhais protestam hoje em A Gudiña, na Galiza, Espanha, contra a mina junto à fronteira com Portugal, temendo um grave problema de saúde pública.
Uma exploração mineira de volfrâmio, em Pentes, no concelho de A Gudiña, a dois quilómetros do Parque Natural de Montesinho e do concelho de Vinhais, está a preocupar os autarcas e ambientalistas portugueses, que temem a contaminação do rio Rabaçal, que abastece 14 aldeias.
Segundo João Vila, presidente da junta de freguesia de Edral, uma das aldeias do concelho de Vinhais, distrito de Bragança, abastecida pelo rio Rabaçal, há muita gente que já não bebe a água que abastece a aldeia, preferindo ir às antigas nascentes, com medo do que se está a passar.
"A água que nos bebemos, que vem para as nossas juntas de freguesia, vem precisamente de 100 a 200 metros do rio. Isto faz provocação a quem mora no planeta agora e a quem virá depois", reiterou o autarca da junta de freguesia de Vilar Seco de Lomba, António Barreira.
Os autarcas queixam-se de nunca terem sido informados da exploração mineira.
"Só é estranho como é que Espanha não comunicou isto a Portugal, ao Ministério do Ambiente, ao próprio Governo, [que] não está ocorrente disto, não é normal", criticou Manuel Borges, tesoureiro da União das Freguesias de Quirás e Pinheiro Novo, que tem quatro aldeias abastecidas pelo rio.
O Movimento Uivo tem vindo a alertar para esta exploração mineira, que afetará maioritariamente o território português.
"O pior de tudo é que as autoridades portuguesas não foram notificadas", afirmou António Sá, membro do movimento.
Em causa está ainda a falta de um estudo de impacto ambiental transfronteiriço, que não foi solicitado e que é obrigatório por lei.
O Governo já admitiu não ter recebido qualquer pedido de parecer por parte de Espanha.
"Espanha não sofre nada. A Espanha não tem absolutamente que sofrer. Eu queria ver se fosse ao contrário o que é que faziam", disse, indignado, o autarca de Vilar Seco de Lomba.
Membros da conferência Ecoloxistas em Acción, da Galiza, também estiveram no protesto: "Está a gerar um impacto diplomático entre os dois países (...) a mineração é uma atribuição das regiões autónomas, neste caso do governo da Galiza, e o que está a acontecer é que o governo de Madrid está a dizer ao governo da Galiza que tinha de existir essa consulta transfronteiriça com Portugal, mas isso nunca aconteceu e então temos um conflito interno entre o governo de Madrid e o da Galiza, que está a gerar problema", frisou o ambientalista Juan Evans.
Os ambientalistas e os autarcas presentes na concentração entregaram em mãos uma carta ao alcaide da A Gudiña a expressar as preocupações.
A Comissão Europeia já alertou para a obrigatoriedade da avaliação de impacte ambiental transfronteiriça, que até ao momento não foi feita, sobre a exploração de volfrâmico, na Gudiña, prevista para este ano.
O projeto tem vindo a gerar várias contestações por organizações e entidades pela sua proximidade com a fronteira portuguesa, uma vez que dista dois quilómetros de Vinhais.
Prevê-se que esta exploração mineira de volfrâmio na província de Ourense arranque no quarto trimestre deste ano, pela empresa Tungsten San Juan, filial galega da Eurobattery Minerals. Nos últimos meses, já foram feitas movimentações de terra.
Lusa