Um novo trabalho de campo realizado nas áreas protegidas do Douro Internacional permitiu descobrir, entre março de 2023 e este ano, novos ninhos e novos casais de abutre-preto naquela região, foi hoje anunciado.

Em declarações prestadas hoje à Lusa, o técnico de conservação ambiental José Jambas, que está ao serviço da Junta de Castilla y León , em Espanha, afirmou que o aumento populacional que se verificou de junho de 2023 a março de 2024 se deveu a uma rigorosa metodologia de monitorização do território, que levou à descoberta de novos ninhos nestas áreas protegidas Parque Natural do Douro Internacional (PNDI) e Parque Natural Arribes del Duero, em Espanha.

“Foram descobertos, no decurso da monitorização de campo, oito ninhos novos de abutre-negro ‘Aegypius monachus’ nas duas áreas protegidas, em ambas as margens do Douro Internacional, dos quais resultam mais quatro novos casais até ao momento. Estes dados representam um marco importante para a conservação do abutre-negro nestas duas áreas protegidas, e uma boa perspetiva de trabalho continuado de seguimento de fauna que se realiza em ambos os parques naturais”, explicou.

José Jambas acrescentou que três casais do lado português estão em fase de incubação e que o mesmo acontece do lado espanhol. Há ainda mais três casais do lado português que estão a preparar o ninho.

“Neste momento, os trabalhos de prospeção de novas colónias ainda estão em curso e talvez ainda seja possível detetar mais casais nidificantes até ao final da época reprodutora”, destacou.

No início do ano, e ainda no âmbito do mesmo projeto espanhol, o técnico confirmou os cinco casais do PNDI do ano anterior e descobriu mais três ninhos no Parque Natural Arribes del Duero, em Espanha.

Até ao momento, estão confirmados oito casais de abutre-negro, três a incubar no Parque Natural do Douro Internacional, outros três a incubar no Parque Natural Arribes del Duero/ Espanha e ainda mais dois no PNDI que se encontram a reparar os ninhos.

“No caso de Espanha, trata-se do primeiro registo histórico para o Parque Natural Arribes del Duero”, indicou o técnico.

Esta espécie é considerada “Criticamente em Perigo” pelo Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal, bem como vulnerável no catálogo espanhol de Espécies Ameaçadas.

O abutre-negro é uma espécie que ocorre na Península Ibérica, seguindo a sua distribuição pela Europa, nomeadamente França, Grécia, Turquia, Afeganistão, norte da Índia, China, Mongólia e Sibéria do Sul.

Em território nacional, a nidificação da espécie ocorreu até à década de 60 do século XX. Na década de 70 havia 200 casais em toda a Península Ibérica.

No norte de Portugal, e concretamente no PNDI, a espécie é vista há mais de duas décadas, e com mais regularidade na última.

Em 2012 ocorre a primeira tentativa de nidificação de abutre-negro no PNDI”, explicou José Jambas.

Foto: José Jambas



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