A Cooperativa Árvore, no Porto, dedica um mês de atividades dedicadas à língua e cultura mirandesas, para debater o presente e o futuro deste idioma nacional sob ameaça, reunindo investigadores e artistas, anunciou a instituição.
De 6 de Junho a 4 de Julho, a Árvore apresenta o Mês do Mirandês, uma programação dedicada ao património, à identidade e à criação contemporânea.
Em declarações à agência Lusa, o diretor executivo da Cooperativa Árvore, Manuel de Sousa, lembrou que a língua mirandesa é protegida e reconhecida como idioma oficial por lei, em Portugal, sendo necessário chamar a atenção para um património que se encontra em risco e pertence a todos, não só a mirandeses.
Até 04 de julho, a Árvore terá assim patentes duas exposições - uma da pintora mirandesa Balbina Mendes", "Pe(r)ssona"; outra, "No piso térreo de um clarão", do conimbricense Marco Silva - com todos os materiais "escritos também em mirandês", disse Manuel de Sousa à Lusa.
Haverá ainda uma conferência no próximo dia 27, que vai juntar académicos, falantes e investigadores do mirandês, em que será destacada a importância do mirandês e do seu património, e discutida como tornar esta língua viva, moderna e atual, disse o responsável.
Manuel de Sousa reconheceu que um dos objetivos das iniciativas a desenvolver ao longo do mês, na cidade do Porto, é levar também a língua e a cultura mirandesas a um público mais urbano, ligado à arte contemporânea, indo além das Terras de Miranda.
Durante a conferência, há também o objetivo de abordar a venda das barragens do Douro Internacional e a sua vertente ligada à cobrança dos impostos, para financiar o desenvolvimento da língua e da cultura locais, indicou.
Ao longo do próximo mês, também serão publicadas mensagens nas redes sociais ligadas à cultura mirandesa, à língua, às danças dos pauliteiros e às máscaras dos rituais do Solstício de Inverno.
Manuel de Sousa disse ainda que será inscrita na sede da Cooperativa Árvore, em mirandês, português e inglês, o lema “Árvore ao serviço da arte e da cultura”, que ficará patente por muitos anos.
Esta iniciativa da Árvore conta igualmente com a participação da Estrutura de Missão para a Promoção da Língua Mirandesa (EMPLM), organismo criado pelo Governo para a salvaguarda do idioma, cujo colégio de comissários tomou posse no início do passado mês de fevereiro.
O mirandês foi reconhecido como língua oficial de Portugal há 27 anos, através da Lei 7/99. Aprovada em 17 de setembro de 1998, a lei entrou em vigor em 29 de janeiro de 1999, com a publicação em Diário da República.
Um estudo efetuado pela Universidade de Vigo, em 2023, alertou para a possibilidade de extinção da língua mirandesa, em redor do ano 2050, pela exiguidade de falantes.
O trabalho desta universidade espanhola identificava apenas 3.500 conhecedores da língua e 1500 falantes regulares, situação considerada preocupante para o futuro da ‘lhéngua’.
Lusa