O secretário de Estado da Cultura defendeu hoje, em Mogadouro, a integração do recém-inaugurado Centro de Arte -Manuel Barroco na Rede Portuguesa de Arte Contemporânea (RPAC), para que este equipamento tenha maior visibilidade.
Em declarações à agência Lusa, Alberto Campos disse que o Centro de Arte Contemporânea - Manuel Barroco, no distrito de Bragança, hoje inaugurado, pode tirar partido dessa integração, ter maior capacidade de comunicar com outros equipamentos e obter maior visibilidade.
“Integrando a RPAC este Centro Arte Contemporânea pode ter acesso a uma outra programação e até financiamentos e [fazer] candidaturas. É muito importante para o nosso país que a RPAC seja cada vez mais reforçada de grande qualidade como é este Centro da Arte Contemporânea“, vincou o governante, deixando assim o desafio da credenciação à autarquia.
O presidente da Câmara de Mogadouro, António Pimentel, por seu lado, indicou de imediato que um dos objetivos do município é de facto vir a inscrever este novo centro de arte na RPAC.
“Concluímos agora a obra e de imediato vamos tratar de inscrever este equipamento nesta rede nacional, porque acredito na sua qualidade expositiva e na sua dinâmica cultural para o território e para o país”, frisou o autarca social-democrata.
Criada em 2021, a RPAC é atualmente composta por 81 entidades, que congregam 97 espaços e equipamentos em todo o território nacional. A adesão à rede “é feita de forma voluntária e sob o compromisso das entidades proprietárias e/ou gestoras de equipamentos culturais, sediadas em território nacional, promoverem atividades de valorização e dinamização da arte contemporânea, uma programação cultural própria e atividades de mediação de públicos”.
O processo de credenciação está aberto “em regime de permanência” e pode ser iniciado no balcão 'online' da Direção-Geral das Artes.
O autarca António Pimentel recordou que o escultor Manuel Barroco tem obras espalhadas um pouco por todo o país, além da cidade de Mogadouro.
O município investiu cerca de 100 mil euros para recuperar este novo espaço cultural, no âmbito de uma política municipal que visa homenagear em vida pessoas que se destacaram em diferentes áreas do saber, da literatura às artes plásticas, da vida autárquica, ao desporto e ao jornalismo.
O escultor Manuel Barroco nasceu em Mogadouro, em 1940, sendo descrito pelo escritor J. Rentes de Carvalho como uma referência singular no panorama da escultura contemporânea portuguesa.
Presente na inauguração, Manuel Barroco mostrou-se emocionado com a homenagem do município, acreditando que este novo espaço representa o melhor da sua vida.
“Este espaço é o reflexo daquilo que eu penso sobre a arte, sendo importante trazê-la para minha terra natal, onde a arte não tem sido bem acarinhada, mas acredito que isto vai melhorar em termos culturais e artísticos”, disse o escultor
Também no dia de hoje foi colocada em Mogadouro a primeira pedra do Museu do Território, que resulta de um investimento de 2,1 milhões de euros.
O prazo de construção deste museu é de 500 dias.
António Pimentel lembrou que o imóvel do futuro museu, situado na zona histórica da cidade, junto ao castelo templário, à igreja matriz e à capela da Misericórdia, foi doado por um particular, em 2002, ao município.
Segundo o autarca, aí ficará um museu do território e da memória, com o objetivo de refletir sobre etnografia, arqueologia e história do concelho de Mogadouro, reunindo o espólio já existente na atual Sala Museu de Arqueologia, que assenta em várias eras cronológicas, desde a pré-história ao período romano.
“Hoje afirmamos, com convicção, que Mogadouro acredita na cultura como eixo estruturante do desenvolvimento. Acreditamos que investir em arte e no património e em conhecimento é investir na coesão do território”, sublinhou António Pimentel.
O autarca acredita que o futuro Museu do Território é um projeto estruturante integrado na Rede Regional de Museus do Território, alinhado com o Plano de Ação Regional para a Cultura.
Por seu lado, o Instituto Politécnico de Bragança tem no terreno desde de março de 2022 uma museóloga que começou a delinear o projeto que dará corpo à estrutura do futuro museu e que pretende ser “inovador” na sua conceção.
Lusa