A futura sede da Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro, vai ser construída num terreno situado na zona de Belém com mais de quatro mil metros quadrados, o triplo da área inicialmente prevista, revelou ao JN Nuno Aires, presidente da instituição, durante o tradicional magusto de São Martinho, que ontem juntou dezenas de convivas num colégio de Benfica.

\"Conseguimos ultrapassar todos os obstáculos que impediam a regularização do novo espaço, a implantar na Avenida da Índia, aumentando a área de construção, que antes era insuficiente para desenvolver as actividades que temos em mente\", acrescentou o responsável.

Uma localização privilegiada da capital que vai permitir, segundo Nuno Aires, criar diversas valências destinadas ao convívio dos associados, sala polivalente, auditório, sala de música e de ginástica, sala de reuniões, biblioteca, parque de estacionamento, gabinetes de representação de empresários e cooperativas da região, entre outras dependências.

Restaurante no projecto

Nos planos da colectividade, está ainda a abertura de um restaurante que vai valorizar e divulgar as iguarias mais tradicionais da região de Trás-os-Montes e Alto Douro e garantir algum sustento. \"Queremos desenvolver actividades na nova sede que a sustentem, para que não dependa apenas dos subsídios estatais e do esforço dos associados\", sublinhou.

A primeira parcela do terreno de Belém tinha pouco mais de mil metros quadrados e foi cedida pela Câmara Municipal de Lisboa em 1997. Recentemente, e após negociações com a autarquia, a instituição conseguiu obter a cedência, em direito de superfície, de um outro lote, maior e mais recuado, desfazendo o acordo inicial.

Centenário à porta

Enquanto não começam as obras de construção da nova sede, os associados convivem nas actuais instalações situadas num acanhado terceiro andar de um prédio do Campo Pequeno, que será posteriormente vendido.

A primeira pedra da nova sede deverá ser lançada para o ano, altura em que a Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro assinala o seu centenário e organiza um \"grande encontro de saberes e sabores\", avançou ao JN Nuno Aires.

A casa de Belém será a oitava sede da instituição, fundada em Setembro de 1905, no reinado de D. Carlos I. Nessa altura, a colectividade chamava-se \"Clube Transmontano\" e estava localizada na Rua Capelo. A designação actual foi adoptada em 1940. É a mais antiga casa regional com sede em Lisboa e desde 1990 que está reconhecida como Pessoa Colectiva de Utilidade Pública.

Telma Roque

Ficha

Fundação

Reinava D. Carlos I quando o alvará régio de 23 de Setembro de 1905, emanado do Governo Civil de Lisboa, aprovou os estatutos da associação de recreio \"Clube Transmontano\".

Centenário

Será comemorado no próximo ano com um \"grande encontro de saberes e sabores\" e com o lançamento da primeira pedra da oitava sede da instituição, que ficará na zona de Belém.

Castanhas vencidas pelos bolos

Broas, sonhos de abóbora, filhoses, bolo de azeite e de carne, queijos e enchidos, e mel de Vilar de Perdizes. Com tanta e tão boa oferta, não admira que as castanhas e a jeropiga tenham perdido a corrida nas preferências dos transmontanos e alto durienses que ontem se juntaram no Colégio dos Maristas, em Benfica, para o tradicional magusto.

Assunção, minhota, pendeu para o bolo de carne e Fátima Vieira, que vive em Lisboa há quase 40 anos, deixou-se enfeitiçar pelas alheiras. \"Levo mais de um quilo. O meu filho adora e eu também!\", afirmava a mulher, que não perde por nada os convívios da colectividade. Uma forma de \"matar saudades\" dos amigos e dos petiscos. Garante que os sabores da terra são mais gostosos.

Artur Alves, também ele um dos cerca de 350 mil transmontanos e alto durienses a viver na capital, importou da sua terra o que ela tem de mais doce, explorando hoje uma pastelaria em Lisboa. Ontem, contribuiu com a sua arte de fazer doces, sem esquecer a rainha da festa, mas em versão doçaria, vendendo castanhas de amêndoa.



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