Bornes: a sumptuosidade da natureza
por Sandra Canteiro, Jornal Nordeste


Ergue-se nas fraldas da serra que lhe deu o nome de Bornes. Vistosa e bela pelo contraste entre o alaranjado do tijolo e o verde das paisagens envolventes, a aldeia oferece uma vista soberba a quem passa pela Estrada Nacional 102.

Engalanada com os seus pequenos cursos de água que regam os abundantes lameiros de pasto, naquela aldeia pode ouvir-se o respirar da natureza que se prolonga serra acima. Bornes, no concelho de Macedo de Cavaleiros, parece pertencer, desde sempre, à paisagem sumptuosa que prende tanto o olhar de quem passa lá pela primeira vez, como dos que fazem aquele percurso diariamente.
Com cerca de 400 habitantes, a localidade era conhecida por Bornes de Monte Mel ou Montemé, tal como a serra que se ergue a seu lado, e esteve anexada à freguesia de Burga, pertenceu à comarca de Chacim e ao concelho de Cortiços, extinto em 1853.
Os vestígios arqueológicos, como o povoado da 1ª Idade do Bronze da Fraga dos Corvos, comprovam a fixação de povos antigos na região.
Com o regresso dos emigrantes à terra natal, o número de investimentos em recuperação de casas antigas e abandonadas tem aumentado. “Não temos perdido muitos habitantes e, cada vez mais, chegam pessoas para investirem no turismo rural”, informou o presidente da Junta de Freguesia de Bornes (JFB), Miguel Romão.


Ao contrário das pequenas localidades do interior, Bornes não tem perdido muitos habitantes

No entanto, e apesar das três turísticas criadas na freguesia, o autarca solta um desabafo. “Ainda que essas casas recebam muitos turistas, na própria aldeia não se vê muito movimento, nem riqueza. Geralmente, ficam aí apenas para dormir e não passeiam muito pela localidade”.
Contudo, segundo Miguel Romão, é comum verem-se pessoas a perguntar pela Igreja Matriz ou por alguma das três capelas de Bornes. “Recebemos bastantes visitantes interessados no nosso património”, acrescentou o responsável.
Construída entre os séculos XVI e XX, altura em que foi pintado o tecto da nave, a Igreja Matriz, com orago a Santa Marta, é conhecida pela sua arquitectura religiosa, renascentista e barroca. Já no adro, podem encontrar-se três sarcófagos pétreos, provenientes de uma necrópole próxima da freguesia.
As capelas dedicadas a Nossa Senhora da Piedade, Santa Luzia, Nossa Senhora dois Prazeres (datada de 1660) e Nossa Senhora do Rosário também fazem as delícias dos turistas que passam por Bornes, bem como as duas fontes de mergulho, uma delas de 1846.
Com várias casas antigas recuperadas, como o solar da família Pimentel, a localidade acolhe, também, as ruínas de duas quintas brasonadas.





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