Parâmio guarda fonte milagrosa
por Teresa Batista, Jornal Nordeste


População acredita a água da fonte do Caílho já curou dezenas de crianças com dificuldades em andar

Situada em pleno Parque Natural de Montesinho (PNM), a aldeia do Parâmio, no concelho de Bragança, guarda uma fonte milagrosa, que dizem já ter curado dezenas de crianças com dificuldades em andar.

Rosa Afonso, de 71 anos, sabe de cor as orações que fazem parte do tratamento. “Antes eram as pessoas mais antigas. Agora procuram-me a mim para fazer as orações”, afirma esta habitante.
A fonte do Caílho, também conhecida por fonte dos milagres, tem levado pessoas de diversos pontos do País ao Parâmio. “Já vieram cá pessoas do Porto. Trazem cá as crianças encaílhadas, que têm dificuldades em andar. Com a água e com as orações ficam curadas”, enfatiza Rosa Afonso.
Para além das propriedades medicinais, esta habitante afiança que a água também é boa para beber. “As pessoas quando vão para os campos passam na fonte e aproveitam para matar a sede”, acrescenta.
Nesta altura, a maioria dos moradores passa os dias nos soutos, que se impõem na paisagem com os tons do Outono. A castanha é a principal fonte de rendimento das gentes que resistem nesta aldeia transmontana, onde o turismo ainda é uma miragem.

“Penso que o turismo poderia contribuir para a sua revitalização. Contudo, temos um projecto para a transformação da antiga casa do pároco numa casa de turismo rural e ainda não conseguimos efectuar a candidatura por falta de informação”, lamenta o presidente da Junta de Freguesia do Parâmio, Manuel Fernandes.

A igreja matriz, recentemente restaurada, ergue-se com a sua imponência no centro da aldeia. As fontes de mergulho fazem lembrar os tempos em que as mulheres iam buscar a água em cântaros para levar para casa.

Em pleno século XXI, o saneamento básico ainda não chegou às aldeias da freguesia

Apesar das melhorias efectuadas ao longo dos anos, há carências que saltam à vista em pleno século XXI. As quatro aldeias da freguesia (Parâmio, Maçãs, Fontes de Transbaceiro e Zeive) ainda não têm saneamento básico e as canalizações de abastecimento de água, com mais de meio século, também precisam de ser substituídas.
Os habitantes mais antigos recordam-se do tempo em que o Parâmio somava cerca de 300 moradores, um número que caiu para cerca de 80. A desertificação é uma realidade nesta freguesia do PNM. “Os jovens partem à procura de melhores condições de vida.

Por outro lado, as pessoas não vêem o Parque com bons olhos porque, para além de não trazer benefícios, ainda faz restrições”, afirma Manuel Fernandes. Aliás, na óptica do autarca, se a nova proposta de ordenamento for aprovada, vai ser impossível viver nas aldeias.
A diminuição da população, contudo, não inibe a Junta de Freguesia de criar condições para aqueles que ficam. “Temos Internet gratuita na sede da Junta e também está a decorrer um curso, através do programa Novas Oportunidades, que conta com 32 alunos”, salienta o autarca.
Além disso, existe um projecto para a requalificação do espaço envolvente à sede da Junta e para o arranjo de alguns caminhos.





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