Pequena aldeia vive ligada à história da Senhora da Hera e dos Casarelhos
por Sandra Canteiro, Jornal Nordeste


A luz da Cova de Lua

Diz-se que a luz da lua cheia, a partir das covas da cal, oferece um espectáculo único. Que o sol abraça as paisagens verdejantes, vales e colinas que transpiram a pureza e naturalidade tão características do Parque Natural de Montesinho (PNM).

No cimo de um monte, a partir do qual os olhos se perdem sobre horizontes que convidam a uma visão mais atenta e demorada, Cova de Lua, freguesia de Espinhosela, no concelho de Bragança, envolve visitantes e população com histórias e lendas do tempo de Mouros e de povoações antigas.
Conta-se que a lua tem influência sobre os cursos da água, que aumentam e estreitam conforme as suas fases crescentes e minguantes.
Que, apesar de actualmente ser uma localidade banhada pelo sol, foi, em tempos, uma terra demasiado húmida e insalubre, que terá levado à propagação da peste, responsável pela fuga da povoação dos vales para o monte, onde se localiza agora. “Diz-se que houve uma epidemia que matou muita gente e que obrigou os sobreviventes a fugirem”, relata o presidente da Junta de Freguesia de Espinhosela (JFE), Hélder Martins. Desses tempos restam, agora, alguns vestígios, como alicerces dos Casarelhos, Castro, Torre e porta de entrada do Castro, fosso circundante, base amurada, frontaria da Capela da Senhora da Hera e tanque das Fontaelas. “Efectuaram-se alguns trabalhos arqueológicos que deram conta da existência de uma antiga igreja, mas que ardeu”, relata o autarca.
Cova de Lua está, também, intimamente ligada à história da Senhora da Hera, que recebe, anualmente, um largo número de visitantes. “É um lugar muito aprazível e no Verão vem muita gente comer merendas para aqui”, adiantou Hélder Martins.

Desactivados há cerca de 50 anos, os antigos fornos da cal de Cova de Lua são recordados pelas pessoas mais velhas como originadores de riqueza e postos de trabalho na localidade. “Empregavam muita gente e traziam muitos visitantes e compradores à aldeia”, lembra um habitante de Cova de Lua, Alcino Afonso.

Antigos fornos da cal representavam riqueza e empregavam muita gente em Cova de Lua

Propriedade de privados, os fornos produziam a cal, retirada de afloramentos calcários da região, que era, depois, negociada com os mercados locais ou da zona das Beiras.
Actualmente, os cerca de 35 habitantes de Cova de Lua dedicam-se à agricultura de subsistência, à apanha da castanha ou sobrevivem com pequenas reformas.
Apesar de estar próxima de Bragança, a população de Cova de Lua tem que caminhar alguma distância para apanhar os transportes públicos para a cidade. “O autocarro não sobe à aldeia, pelo que idosos e crianças têm que andar a descer e subir a estrada, esteja sol, chuva ou neve”, queixa-se o presidente da JFE.
Depois de se entrar no autocarro, o percurso, feito pela Estrada Nacional 308 (que liga Cova de Lua à sede de concelho) é bastante penoso, devido ao mau estado da via. “É lamentável. Estraga-nos os carros e temos que ir sempre muito cautelosos e devagar por causa dos buracos”, lamenta António Oliveira, outro residente.





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