Em Dia de Reis até os mais pequenos podem «puxar» do maço de tabaco
por Adolfo Dias


A freguesia de Vale de Salgueiro, no concelho de Mirandela, foi palco de uma festa que se perde no tempo e que permanece inalterável. A única coisa que muda de ano para ano é o Rei, o que muito orgulha a população, fiel à preservação das suas tradições.

Esta festa, em honra de Santo Estêvão, é uma manifestação típica de grande tradição popular, que consiste na nomeação de um Rei para o corrente ano. A cerimónia decorre durante a missa solene, em que o Rei de então cessa funções e passa o testemunho a outro. Para tal coloca a coroa num dos rapazes da terra, que de imediato fica eleito. Finda a missa, o novo Rei convida toda a população para um beberete em sua casa, oferecendo o melhor a toda a comunidade.
Mas, no dia 5 de Janeiro a vida deste “soberano” é muito agitada. É que tem de percorrer toda a aldeia com carrinhas e carrinhas atestadas de sacos de tremoços e cabaças com vinho, não ficando uma só casa sem a sua visita. No largo da aldeia, depois do banquete que o Rei oferece em sua casa a toda a população, dança-se a “murinheira”.

Murinheira e fumaça

Trata-se de uma dança folclórica de cariz guerreiro, em sistema de bota fora, até que um casal fica sozinho a dançar e ganha a “murinheira”. Mas, terminada uma recomeça outra até altas horas da madrugada, mesmo apesar do frio que se faz sentir nesta altura.
Mas a grande diferença, e aquela tradição que mais caracteriza Vale de salgueiro nas suas festividades dos Reis, consiste em toda a população fumar nesses dias. Homens e mulheres, até aos petizes de mais tenra idade, mesmo ao colo dos progenitores, também fumam. Mas só nestes dias, e são os pais que compram os maços de tabaco ou dão o dinheiro aos filhos para os comprar.
Durante as festividades encontramos pessoas que, tirando estes dias, nunca fumaram, e todos eles foram Reis, ou estão à espera de o ser um dia. Afinal, em Vale de Salgueiro a tradição ainda é o que era e a Festa dos Rapazes está aia para o provar.





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