Bomba em Moredo

  Bragança

Sentença lida amanhã

Meses antes da explosão, a jovem abandonou a casa da mãe e foi viver maritalmente com João Pereira, filho da proprietária da casa que explodiu. De acordo com a acusação, o arguido não terá gostado da atitude da jovem, ao ponto de a ter ameaçado com palavras violentas. “Um dia ainda mando isto tudo pelos ares”, terá dito o empreiteiro a Elizabete, referindo-se à casa que supostamente fez explodir. A ameaça foi feita, supostamente, em Moredo, numa das deslocações que o réu fez à aldeia.
Em tribunal, Elizabete classificou o réu como “uma pessoa violenta”, acusando-o de agressões físicas e de mau feitio. A acusação considera que o arguido “quis matar”. A jovem que, presumivelmente, seria o alvo do atentado foi quem ajudou as autoridades a chegar ao suspeito, também incriminado por provas físicas recolhidas no local, nomeadamente marcas de pneus.

Defesa lança dúvidas
Na segunda sessão do julgamento, o advogado a defesa pôs em causa toda a investigação efectuada pela Polícia Judiciária, classificando-a de “muito imperfeita e incompleta”. De acordo com o jurista, as diligências da PJ “deixam muitas dúvidas”, já que, na sua opinião “quiseram chegar muito depressa a conclusões sem olhar a meios”. Sendo assim, o jurista defendeu que “a PJ deveria ter orientado a investigação noutro sentido”, acrescentando que “não houve prova suficiente para sentença condenatória”.
Além disso, a defesa argumentou que João Fernandes nunca teve qualquer relação amorosa com Elizabete. De acordo com o advogado do réu, as únicas relações existentes entre Elizabete e o João Fernandes eram de trabalho. “Não apareceu uma única pessoa da população de Paradela [onde residia João Fernandes], estranha à família, que dissesse conhecer uma relação sentimental entre o Sr. João e a Elizabete”, frisou o jurista. Segundo a defesa havia apenas um relacionamento familiar e de trabalho, já que tanto Elizabete como a mãe trabalhavam na empresa de construção civil do arguido.
Quanto às agressões confirmadas por Elizabete e pela mãe, o advogado do empreiteiro desvalorizou esta questão, explicando a atitude do empreiteiro através de “coisas da vida que correm mal”.

Triângulo amoroso
Quem não tem dúvidas quanto à existência de um triângulo amoroso é o Ministério Público. Nas alegações finais, o representante do MP apontou para a existência de “um triângulo amoroso com dependência ao nível económico, psicológico e sexual”. O MP classificou o arguido como “um polígamo perigoso, ciumento e desconfiado, que mantinha três mulheres sob a sua alçada com base no terror”.
O advogado da família das vítimas, por seu lado, também não poupou adjectivos para classificar João Fernandes, tendo defendido “uma condenação exemplar para o empreiteiro. “Não parece haver dúvidas quanto à autoria do crime. Deve ser também condenado pelos danos materiais que causou na casa”, sustentou a acusação.
No banco dos réus está também Nuno Bagueixe, o indivíduo que vendeu os explosivos a João Fernandes sem estar licenciado para o efeito. A sua advogada pede absolvição, tendo em conta o seu arrependimento e o seu “contributo para encontrar a verdade dos factos”.


João Campos, 2001-04-17