AECT com projetos inovadores de índole cultural, desportivo e de desenvolvimento económico, mas sempre na defesa de elos de ligação terrestre mais eficazes entre Portugal e Espanha.

 

O presidente da Diputación de León esteve esta terça-feira na capital do nordeste, por ocasião da primeira reunião formal do Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial (AECT). No final e após terem sido discutidos os dez pontos da agenda de trabalhos, teve lugar pelas 12 horas a conferência de imprensa no Salão Nobre do Município de Bragança. Nas respostas dadas aos jornalistas, ficou clara a vontade política comum de ambos os lados da fronteira lutarem por uma melhor ligação entre Bragança e León.

“Nós estamos a fazer exatamente aquilo que nos compete fazer para que entre ambos os territórios haja uma cooperação de tal forma profícua que viabilize e, sobretudo, justifique aquilo que se te vindo a reivindicar, que é a ligação muito necessária sob o ponto de vista local, regional, nacional e, inclusivamente, transnacional”, defendeu o autarca brigantino, salientado que a “reivindicação desta ligação não é de hoje”.

“É necessário perceber o quão importante é uma ligação transfronteiriça que permita, por exemplo, que funcione como um corredor de transporte de mercadorias, nomeadamente de Portugal para os portos do norte de Espanha e que, por via rodoviária, comparativamente com todos os trajetos que hoje existem, poupam-se cerca de 70 quilómetros em cada viagem, o que é muito significativo”, sustentou Hernâni Dias, para quem esta ligação é “uma necessidade” e não “um capricho dos autarcas de Portugal e do lado espanhol que querem que passe por aqui uma estrada”. “Já comunicámos ao Ministro do Fomento espanhol, empossado recentemente, e antigo alcaide de Santander, que pode ter uma sensibilidade maior para este tipo de questões relacionadas com a cooperação entre os dois países e a necessidade de perceber o quão importante é uma ligação transfronteiriça”, revelou, esperançoso, fundamentando que “temos a responsabilidade como representantes da população de reivindicar esta ligação”.

 

Investimento num elo de ligação terrestre mais eficaz entre as duas localidades ibéricas, Bragança – León, antecede o AECT, mas é uma intenção política partilhada no agrupamento.

 

Outra das questões em cima da mesa, passa por melhorar a via rodoviária já existente entre Bragança e a Puebla de Sanabria. “À Puebla vêm por ano, entre o verão por causa do lago e o inverno por causa da neve, sensivelmente, 750 mil turistas. Desses, perguntamos, quantos vêm a Bragança? Não há ninguém que venha por esta estrada, nem nós vamos a Espanha”, justificou Hernâni Dias, na posse de dados concretos, avançando a hipótese de não ser uma autoestrada, podendo ser até “uma via significativamente melhorada”.

“Empresas em bragança são “tremendamente penalizadas por não existir uma ligação capaz e, nos dias de hoje, não é possível que as empresas consigam manter um relacionamento profícuo dos dois lados da fronteira se não existirem canais de ligação”, insistiu o autarca, a quem caberá a presidência rotativa do AECT daqui a dois anos, caso ganhe as eleições autárquicas.   

No seu primeiro encontro na capital do nordeste com o seu homólogo espanhol, Hernâni Dias declarou terem abordado vários assuntos de áreas tão distintas como a juventude, cultura, educação e, inclusive, a área económica, que “tem vindo a ser desenvolvida com alguns projetos, nomeadamente, com a participação de empresários brigantinos nalguns eventos do lado espanhol e também de empresários de León em Bragança como aconteceu, recentemente, durante a Norcaça, Norpesca e Norcastanha”.  

De acordo com o mais alto dirigente político brigantino, trata-se de “diversificar aquilo que é a oferta de cada território, tentando não trazer aquilo que já temos, para que mais proveito possamos tirar deste relacionamento”. Um relacionamento que tem vindo a ser fortalecido desde 17 de maio, dia em que foi criado o AECT. No entanto, adverte que certos projetos como a concretização de um espaço de acolhimento para as máscaras no lado espanhol e a ampliação do Museu Ibérico da Máscara no lado português necessitarão, definitivamente, de fundos comunitários.

 

“O passo seguinte necessário para seguirmos caminhando, até porque existe vontade política de irmanamento, é de trabalharmos em conjunto no futuro dos povos da província de León com Bragança”, Juan Majo.

 

Também o presidente da Diputación de León divulgou, no final daquela que foi a primeira assembleia do agrupamento, alguns dos projetos iniciais a acontecerem já em 2017. De intercâmbios entre jovens e crianças a encontros culturais, passando pela criação de uma página oficial de internet do Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial. “Aprovámos a contratação de uma página web, especifica para a AECT León – Bragança.eu, está em desenvolvimento por parte de uma empresa portuguesa e esperamos que, em 2017, já esteja em funcionamento”, garantiu Juan Majo, um dos grandes defensores da cooperação transfronteiriça e atual presidente da AECT.

O dirigente espanhol adiantou, também, que cada um dos lados, já no próximo ano, avançará com uma quota anual de 30 mil euros que, em 2017, servirão para a criação do logótipo, da página web e da manutenção do plano estratégico. No contexto das iniciativas culturais, o relevo irá para as máscaras tão caraterísticas nas duas regiões, Já no contexto desportivo, o enfoque será dado à exibição de jogos tradicionais.

Mas o responsável político afiança que estão abertos a novas propostas e que irão elaborar outras, que terão de contar com o apoio da União Europeia, nas áreas da investigação e inovação, bem como na luta contra as alterações climáticas.

 


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