Inauguração das exposições “Graça Morais na Coleção da Fundação Paço d’ Arcos” e “A Casa Afundada” de João Jacinto, no Centro de Arte Contemporânea Graça Morais com a presença de ambos os artistas e de um dos maiores colecionadores da pintora transmontana. 

 

Por mais incrível que possa parecer, Paço d`Arcos possui mais de uma centena de quadros de Graça Morais, sendo o maior colecionador privado da artista transmontana. Tudo começou em 1985, quando o advogado do Banco Mundial, agora reformado, quis fazer uma exposição com cinco artistas portugueses no Fundo Monetário Internacional em Washington. Depois de ter estado em Paris, onde convidou Júlio Pomar e Eduardo Luís, deslocou-se a Londres para recrutar Paula Rego e foi ela que lhe falou na Graça Morais.

Paço d`Arcos não a conhecia, mas foi a Lisboa ver o seu trabalho. Quando subiu os quatro andares na Rua de S. Paulo, onde Graça Morais tinha o seu atelier, foi amor à primeira vista e o então advogado ficou apaixonado pelas obras da artista. Nos trinta anos que se seguiram, Paço d`Arcos e Graça Morais tornaram-se tão amigos que, por altura do seu 50º aniversário, pediu à artista 50 quadros para oferecer aos 50 amigos que estariam presentes na sua festa de anos. À medida que ia entregando um a um, ia contando a história da sua vida. No final, perguntou a Graça Morais quanto lhe devia pelos 50 quadros, ao que a artista respondeu: “Nada. É o meu presente para ti”.

Foi essa a história que Paço D`Arcos contou para tentar descrever a tamanha generosidade da pintora transmontana, quer então, quer agora, momentos antes da inauguração da exposição ao final da tarde do passado sábado. Patente no Centro de Arte até 26 de junho, esta mostra artística de pintura e desenho (1984 – 2008) revela um pouco dessa amizade que se foi construindo ao longo de três décadas e que nasceu de uma estrita relação comercial. “Este colecionador é uma pessoa muito curiosa porque é, realmente, um grande apaixonado da minha pintura e ao mesmo tempo ele costuma batizar os meus quadros com outros nomes, por isso ele cria a sua própria história. O que também tem piada porque acho que a pintura quando desperta nas pessoas a sua imaginação vai ao encontro do seu mundo ganha uma dimensão que não é aquela que eu lhe dei, é outra”, referiu a conceituada artista internacional Graça Morais.

Quem também está em exposição no CACGM são as obras de João Jacinto. Patente até 10 de abril, o artista nascido em Mafra traz à capital do nordeste várias dezenas de quadros que compõem “A Casa Afundada”. “A grande maioria são obras inéditas e, regra geral, os desenhos são o que eu menos mostro. Eu mostro mais pintura”, revelou o pintor, que já expôs em países como Suíça, Alemanha, Bélgica, Espanha e Estados Unidos. Com nus marcantes que retratam mulheres em sofrimento, amordaçadas e submissas, o Diário de Trás-os-Montes questionou o docente da Faculdade de Belas Artes em Lisboa se usou modelos reais: “Não me embarace com essas perguntas, mas pronto, fora esse embaraço, há de tudo, houve fotografias e houve modelos a posar”.

Em consenso estiveram ambos os artistas e o colecionador privado que, em uníssono, congratularam o diretor do CACGM pela sua sensibilidade “especial”, quer na colocação das obras, quer na seleção dos espaços, quer por toda a dedicação e empenho que colocou no elaborar de ambas as exposições. “Esse é o meu trabalho, mas, acima de tudo, a exposição vive muito da obra do artista e a minha função é, de alguma maneira, tentar melhorá-la mais ainda para o público que a vai visitar”, adiantou Jorge da Costa, visivelmente radiante com o decorrer da inauguração. “As obras não são colocadas na parede ao acaso, há que pensar, há que criar relações entre as obras, uma lógica entre as obras, que não tem de ser a cronológica, mas acima de tudo a temática, os materiais, há uma série de ligações que nós fazemos antes de colocarmos as obras na parede”, explicou o comissário que, no final, terminou salientando o sentimento de alegria que o invade ao ver que os artistas ficam satisfeitos com o seu trabalho. Nas palavras do responsável, “se os artistas ficam satisfeitos, para mim é uma grande alegria”.

 

Galeria Fotografica:   http://www.diariodetrasosmontes.com/fotogaleria/arte-em-dose-dupla-no-cacgm


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