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As minhas homenagens ao Deputado Mota Andrade, pela sua posição sobre o Plano de Ordenamento do Parque Natural de Montesinho.
De facto só podia ser essa a posição de uma pessoa interessada no desenvolvimento da região e na defesa das populações e empenhada em travar a desertificação humana a que estamos votados.
Parabéns pela coragem demonstrada porque ser deputado do partido que suporta o governo, trás muitas vezes cumplicidades que obrigam a seguir uma certa disciplina contrária ás convicções pessoais, contudo saber distinguir nos momentos cruciais o essencial do acessório, saber descortinar uma saída para os problemas no meio do emaranhado de pressões e lobis, é verdadeiramente merecedor do nosso apreço e reconhecimento, o que torna esta posição agora pública um ponto de viragem na discussão pública que vai ter o Plano de Ordenamento.
Saibam os restantes deputados e partidos políticos da oposição dar o conforto necessário a esta posição, e todos juntos mais as populações reiterar que este Plano de Ordenamento é verdadeiramente atentatório e incompatível com a continuação do usufruir duma agricultura artesanal até hoje praticada pelas populações das aldeias, é incompatível com um modo de vida sustentado dos residentes tornando a prazo todos os habitantes dependentes da esmola do estado, afirmando claramente e sem ambiguidades que este plano é um atentado contra as legitimas aspirações das pessoas, impedindo na pratica a manutenção da actividade humana.
Este plano impede desde logo qual instalação de energia eólica, da barragem das Veiguinhas, de mini-hidricas, limita o pastoreio, da gestão da caça ordenada impedindo os repovoamentos, este plano impede que um agricultor possa abrir um furo ou poço para captação de água mesmo que no terreno dele, impede a construção de estábulos fora das povoações em claro contradição com a lei em vigor, impede o prolongamento do IP até á Puebla, para além duma série de regulamentos claramente restritivos e atentatórios para os habitantes da área protegida, apenas alicerçados num fundamentalismo já ultrapassado pelas melhores práticas de contorcionismo.
Não estou a ver como se pode preservar uma área protegida sem o acordo das populações, não consigo imaginar como se pode manter uma área protegida sem a cumplicidade activa dos seus habitantes, não estou a ver nem ninguém consegue compreender.
António Pereira
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